Autopropelidos: modernidade ou risco sobre rodas nas ruas?
O aumento no uso de equipamentos autopropelidos — como patinetes elétricos, monociclos e outros dispositivos de mobilidade individual — tem acendido um alerta cada vez mais visível nas ruas e avenidas. Vendidos como alternativas modernas, sustentáveis e práticas para deslocamentos curtos, esses meios de transporte vêm ganhando espaço, mas também levantam uma questão urgente: estamos preparados para conviver com eles de forma segura?
Em Joaçaba, o tema já começou a preocupar moradores. O departamento de Jornalismo da Rádio Catarinense recebeu nos últimos dias relatos de ouvintes chamando atenção para situações de risco envolvendo o uso desses equipamentos. As mensagens apontam, principalmente, para a circulação em locais de grande movimento e a falta de itens básicos de segurança por parte dos usuários.
Os chamados “autopropelidos” são veículos que se movem por propulsão própria, geralmente por meio de motores elétricos, dispensando esforço físico constante do usuário. Em teoria, representam avanço. Na prática, porém, o cenário é preocupante.
Circulando muitas vezes em áreas de grande fluxo — como calçadas movimentadas, ciclovias e até vias urbanas — esses equipamentos muitas vezes têm sido utilizados sem o mínimo de cuidados básicos de segurança. O uso de capacete, por exemplo, ainda é ignorado por boa parte dos condutores. Em alguns casos, também não há qualquer tipo de proteção adicional, como joelheiras ou cotoveleiras, o que amplia o risco de lesões graves em caso de queda ou colisão.
Além disso, a ausência de fiscalização efetiva e de regras claras em muitos municípios contribui para um ambiente de incerteza. Afinal, onde esses veículos devem circular? Quem responde em caso de acidente? Existe limite de velocidade? A falta de respostas objetivas abre espaço para conflitos entre pedestres, ciclistas e usuários desses dispositivos.
Diante desse cenário, cresce a necessidade de um debate público mais amplo e responsável. A tecnologia avança, mas a convivência urbana exige regras, educação e, sobretudo, bom senso.
Os autopropelidos vieram para ficar. A questão que se impõe agora é simples, mas decisiva: vamos esperar que acidentes mais graves se tornem rotina para então agir, ou será possível antecipar soluções e evitar consequências irreversíveis?
Por Marcelo Santos




