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PIRATUBA FÉRTIL conquista certificação internacional

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PIRATUBA FÉRTIL ENTRA NO MAPA DA AGRICULTURA REGENERATIVA MUNDIAL

Em Santa Catarina, uma fábrica do Meio-Oeste torna-se uma das primeiras empresas do Brasil a conquistar a certificação internacional Regenera For Inputs, da QIMA — e, com ela, um passaporte para o agronegócio sustentável global.

Há momentos em que uma empresa do interior do Brasil deixa de ser apenas mais uma fornecedora do agronegócio e passa a integrar uma conversa global. Foi isso o que aconteceu, na pequena Piratuba, no Meio-Oeste de Santa Catarina, quando a Piratuba Fértil — companhia familiar dedicada à produção de fertilizantes orgânicos e organominerais — conquistou a certificação internacional Regenera For Inputs, desenvolvida pela QIMA, uma das maiores certificadoras independentes do mundo.

Mais do que um selo no rótulo, a chegada a este patamar significa que a fábrica situada na Linha Lageado Mariano foi medida por uma régua que poucas empresas do setor de fertilizantes orgânicos no Brasil tiveram coragem de enfrentar: a régua da agricultura regenerativa auditada por terceira parte, alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS) e aos princípios ESG que hoje organizam o comércio internacional de commodities sustentáveis. O compromisso da Piratuba Fértil, aliás, vai além do solo. A fábrica é abastecida por 100% de energia renovável, proveniente de usinas solares — em linha direta com o ODS 7 (Energia Acessível e Limpa) — e adota um sistema de reuso da água da chuva, captada nas calhas e armazenada em cisterna, prática que dialoga com o ODS 6 (Água Potável e Saneamento). Soma-se a tudo isso o pilar central da norma: o ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável), que estrutura todo o conceito da agricultura regenerativa.

Entre as pioneiras do Brasil

A conquista do Certificado de Conformidade Regenera For Inputs, emitido pela QIMA em maio de 2026, confere à Piratuba Fértil uma posição rara no agronegócio nacional: a de uma das primeiras empresas do país a obter a certificação Regenera For Inputs. É um lugar de muita responsabilidade — e de pouco barulho. Quem trabalha com solo sabe: pioneiros não falam alto; falam por meio do que entregam ao produtor.

A norma Regenera For Inputs, em sua 2ª edição (agosto de 2025), nasceu para preencher uma lacuna que o mercado vinha apontando há anos: a falta de uma certificação específica para os insumos que sustentam a agricultura regenerativa. Selos genéricos de sustentabilidade não bastavam, e os selos orgânicos, por sua vez, não dialogavam com o vocabulário ESG e ODS que tomou conta dos contratos de exportação. A Regenera fechou essa lacuna.

O que foi avaliado

A auditoria de certificação foi conduzida pela auditora interna da QIMA e abrangeu doze grandes critérios técnicos:

  • Atendimento a requisitos regulatórios obrigatórios, incluindo o registro junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA);
  • Sistema de gestão da qualidade implementado, com política formal, automatizada, procedimentos operacionais e plano de controle de matérias-primas e produto acabado;
  • Sistema de rastreabilidade, testado in loco a partir de lotes específicos da linha de produtos da empresa;
  • Gestão dos recursos hídricos, dos resíduos sólidos e da origem legal das matérias-primas;
  • Gestão social e trabalhista: salários acima do mínimo, contratos formais, recolhimento regular de FGTS, políticas escritas contra trabalho infantil e contra trabalho análogo à escravidão;
  • Programas de saúde e segurança ocupacional — LTCAT, PGR e PCMSO vigentes — e treinamentos regulares nas NRs aplicáveis;
  • Política de ética e integridade, formalizada em Código de Ética próprio.

Da cama de aviário ao mercado global

A planta da Piratuba Fértil é, na prática, uma operação de upcycling agrícola. A cama de aviário oriunda de produtores integrados da BRF — Brasil Foods, antes vista apenas como resíduo, é estabilizada por no mínimo 120 a 180 dias em galpões cobertos, passa por peneiramento, pode ser peletizada e retorna ao campo como nutriente vivo. É essa engenharia regional, silenciosa e perfeitamente rastreável, que a QIMA atestou.

Padrão americano, europeu, canadense e japonês

A Regenera é exigente nos parâmetros mensuráveis — análises de garantias mínimas, contaminantes, metais pesados, parâmetros microbiológicos — e dialoga com as principais normas orgânicas internacionais: o Regulamento Europeu (CE) 848/2018, a NOP do USDA, a COR canadense, a JAS japonesa e a Demeter, além da Diretriz IBD em conformidade com a IFOAM.

As Declarações de Conformidade da certificação corporativa confirmam a aprovação dos insumos da Piratuba Fértil em todo esse leque de normas internacionais. Para uma fábrica do Meio-Oeste catarinense, isso é o equivalente a obter passaporte para mercados que costumam pedir muito antes de comprar.

O que dizem os princípios da norma

A Regenera For Inputs se apresenta como a primeira certificação internacional exclusiva para insumos agrícolas regenerativos. Seus pilares são claros:

  • Reconhecimento global, com credibilidade internacional e acesso a mercados premium;
  • Padrões mensuráveis e auditáveis, que substituem promessas por evidências;
  • Alinhamento direto com os ODS da ONU, em especial o ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável).
  • Estrutura de melhoria contínua, com auditorias periódicas;
  • Vantagem competitiva de marketing, com selo reconhecido para rótulos e materiais;
  • Autoridade da QIMA, certificadora de terceira parte com atuação em mais de uma centena de países.
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O recado do dono

“Receber a Certificação Regenera é a confirmação de que estamos no caminho certo. Esse reconhecimento fortalece nossa missão de desenvolver soluções que contribuam para uma agricultura de alta performance, sem abrir mão da responsabilidade ambiental e do cuidado com o solo”, afirma Cléo Fabiano Potrich, proprietário da Piratuba Fértil.

Solo Vivo, Safra Farta

Ao olhar para o ciclo completo — da matéria-prima de origem animal devidamente liberada pelo departamento de sanidade até o produto acabado que chega ao produtor com nota fiscal, laudo de qualidade e rastreabilidade —, entende-se por que a Piratuba Fértil escolheu se posicionar pela frase “Solo vivo, safra farta“.

Em um país que ainda discute o passivo de degradação de áreas agrícolas, há algo profundamente brasileiro em transformar um resíduo regional em insumo capaz de cumprir norma europeia, americana, canadense e japonesa.

A conquista da Regenera For Inputs não encerra a jornada. Como toda certificação séria, ela inicia um ciclo de auditorias periódicas, exigências de melhoria contínua e prestação de contas pública. Mas, para quem acompanha o setor de fertilizantes, fica a impressão de que uma empresa de Piratuba acaba de mover, em silêncio, mais uma peça importante no tabuleiro do agronegócio sustentável brasileiro.

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