Prefeito defende reforma da Estação Ferroviária de Herval d’Oeste e diz que patrimônio será preservado
Prefeito de Herval d’Oeste defende reforma da Estação Ferroviária, promete diálogo e diz que projeto poderá ser ajustado para preservar patrimônio
Após a polêmica envolvendo o início das obras de revitalização da antiga Estação Ferroviária de Herval d’Oeste e o embargo judicial determinado no fim de semana, o prefeito Ronaldo da Rosa se manifestou pela primeira vez sobre o assunto. Em entrevista à Rádio Catarinense, na manhã desta segunda-feira (27), ele afirmou que a administração municipal pretende recorrer da decisão judicial, mas garantiu que está aberta ao diálogo e que o projeto poderá sofrer ajustes para preservar as características históricas do imóvel.
Segundo o prefeito, a discussão ganhou grandes proporções em razão de divergências de entendimento e de informações sobre a execução da obra. Apesar disso, ele reforçou que a intenção do governo municipal nunca foi descaracterizar um dos principais patrimônios históricos da cidade.
“Nós estamos aqui para construir e fazer o melhor para a comunidade. Também queremos preservar toda a nossa cultura e a nossa história. Se eventualmente precisarem ser feitos ajustes para contemplar todos os envolvidos, nós vamos fazer”, afirmou.
Ronaldo destacou que o município considera a revitalização da praça e da estação uma obra importante para oferecer um novo espaço de convivência à população, mas ressaltou que a preservação do patrimônio continuará sendo uma prioridade.
Ainda nesta segunda-feira, a administração deve definir as medidas jurídicas para contestar a decisão que suspendeu os trabalhos. O prefeito, no entanto, evitou ampliar a disputa e disse que o objetivo é encontrar uma solução que permita a retomada da obra o quanto antes.
“Nem tudo é mentira e nem tudo é verdade. Precisamos construir uma solução para que esse projeto saia do papel o mais breve possível, seja útil para a comunidade e não apague a nossa história”, declarou.
Durante a entrevista, Ronaldo também comentou os questionamentos levantados pelo Conselho Municipal de Cultura sobre possíveis alterações estruturais no prédio. Ele explicou que diversos elementos da estação já não são originais.
De acordo com o prefeito, o telhado existente foi substituído há anos, o assoalho de madeira também não faz parte da estrutura original e diversas aberturas apresentam comprometimento causado pela ação de cupins, exigindo substituição por questões de segurança e conservação.
Mesmo assim, reconheceu que alguns pontos do projeto podem gerar interpretação de descaracterização e afirmou que a equipe técnica fará uma reavaliação.
“Não é nosso objetivo descaracterizar esse patrimônio histórico. Vamos conversar com as equipes e rever aquilo que for possível para manter o máximo da originalidade”, disse.
O prefeito revelou ainda que o projeto prevê a criação de um espaço histórico e cultural dentro da estação, destinado a preservar a memória ferroviária de Herval d’Oeste por meio de fotografias e registros da história do município.
Questionado sobre as marcações feitas nas paredes internas da estação, que despertaram preocupação durante o fim de semana, Ronaldo respondeu que esses pontos também serão reavaliados para compatibilizar a preservação do imóvel com as necessidades da reforma.
Por fim, ele afirmou que pretende conversar novamente com o Conselho Municipal de Cultura e demais lideranças, embora tenha ressaltado que cabe à administração conduzir os projetos do município.
“Sou uma pessoa do diálogo e vou ouvir todas as partes interessadas. Mas a administração continuará conduzindo seus projetos sempre pensando no bem da sociedade”, concluiu.
A reforma da antiga Estação Ferroviária permanece suspensa por decisão judicial. O caso teve origem após manifestação do Conselho Municipal de Cultura, que apontou possíveis riscos de descaracterização do imóvel histórico durante a execução da obra. Nos próximos dias, a expectativa é de que o município apresente seus argumentos à Justiça e busque uma solução que permita conciliar a revitalização do espaço com a preservação do patrimônio histórico.
Por Marcelo Santos





