Fim do mistério: Polícia Civil descarta ação humana e esclarece morte de ovinos em Ibicaré
A Polícia Civil esclareceu o caso que gerou grande repercussão nas últimas semanas após a morte de diversos ovinos em uma propriedade na Linha São José, interior de Ibicaré, na divisa com Treze Tílias. A investigação concluiu que os animais não foram mortos por disparos de arma de fogo, como afirmava o proprietário, ou por qualquer ação humana, mas sim por um ataque de cães.
A confirmação foi feita pelo policial civil Manoel Alberto da Silva, durante entrevista concedida ao repórter Cristian Souto da Rádio Catarinense.
Segundo o investigador, desde o primeiro registro da ocorrência a Polícia Civil iniciou uma investigação detalhada, mobilizando peritos do Instituto Geral de Perícias (IGP) e um médico veterinário para a realização de exames periciais e necropsias nos animais.
De acordo com Maneco, a análise técnica foi conclusiva. As lesões encontradas apresentavam lacerações profundas, arrancamento de pele e carne e severos danos musculares, características típicas de ataque de predadores. Além disso, não foram encontrados vestígios balísticos, como projéteis, cápsulas ou qualquer evidência compatível com disparos de arma de fogo.
“O parecer conclusivo demonstra, de forma inequívoca, que foi uma ação predatória natural. Todos os exames convergiram para essa conclusão e descartaram completamente qualquer participação humana”, afirmou o policial.
Durante a investigação, também foram analisadas as marcas que apareciam em um vídeo e que, inicialmente, foram apontadas como possíveis perfurações provocadas por tiros. Segundo Maneco, a perícia confirmou que as marcas existentes em uma chapa metálica não foram produzidas por projéteis. A madeira localizada atrás da peça não apresentava qualquer dano compatível com disparo de arma de fogo, além de as deformações do metal indicarem que foram causadas por pregos ou parafusos.
Outro elemento importante da investigação foram imagens de câmeras de monitoramento, que registraram dois cães entrando no cercado onde estavam os ovinos. Pouco depois, os animais são vistos deixando o local, justamente após os ataques.
O policial também destacou que outras propriedades da região registraram perdas semelhantes provocadas por cães, situação conhecida por moradores do meio rural.
Apesar da repercussão nas redes sociais, onde surgiram especulações sobre um possível massacre praticado por pessoas armadas, a Polícia Civil afirma que todas as hipóteses foram investigadas e descartadas tecnicamente.
“A população pode ficar tranquila. Não houve ação humana. Todo o trabalho foi realizado com base em perícias, exames científicos e investigação criteriosa”, reforçou Maneco.
Agora, segundo a Polícia Civil, o próximo passo será identificar os proprietários dos cães envolvidos para que sejam adotadas as medidas cabíveis. Conforme explicou o investigador, cães que desenvolvem o hábito de atacar ovinos tendem a repetir esse comportamento, tornando necessária uma intervenção para evitar novos prejuízos aos produtores rurais.
Por que NÃO foi tiro
O laudo afirma que não existem sinais de disparo de arma de fogo, como:
* Resíduos de pólvora na pele
* Marcas de queimadura ou chamuscamento
* Pontos escuros (tatuagem de pólvora)
* Nenhum projétil (bala) no corpo
* Nenhum fragmento ou canal causado por tiro
Ou seja: nenhuma evidência física de que houve disparo.
Sobre o local
Também não há indícios de tiro na cena:
* Nenhuma cápsula de bala encontrada
* Nenhuma marca de impacto no chão ou objetos
* Nenhum sinal de atividade com arma
Por Marcelo Santos



