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PEDÁGIO FREE FLOW EM JOAÇABA? Projeto em estudo gera polêmica

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A possibilidade de instalação de um pedágio na região de Joaçaba e a ausência de obras significativas de duplicação da BR-282 no Meio-Oeste catarinense estão provocando forte reação de lideranças políticas e podem desencadear uma das maiores mobilizações regionais dos últimos anos.

O alerta foi feito pela presidente da Câmara de Vereadores de Joaçaba, Jaqueline de Marco, após participar de uma audiência pública promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em Chapecó, para discutir o projeto de concessão da BR-282 pelos próximos 30 anos. O Free Flow é um sistema de pedágio sem praça física e sem cancelas. Os veículos passam normalmente pela rodovia, sem precisar parar ou reduzir a velocidade, enquanto equipamentos instalados sobre a pista identificam a passagem.

Se confirmada, a medida poderá impactar diretamente milhares de moradores de Joaçaba e comunidades do interior que utilizam diariamente a rodovia para trabalhar, estudar ou acessar serviços de saúde.

“É inviável aceitar que moradores precisem pagar para entrar ou sair da cidade. Estamos falando de pessoas que utilizam esse trecho todos os dias”, afirmou Jaqueline.

A situação gera ainda mais indignação porque, segundo a vereadora, o projeto prevê investimentos bilionários ao longo das próximas décadas, mas contempla poucos quilômetros de duplicação justamente em uma das regiões que mais produzem riquezas em Santa Catarina.

O Meio-Oeste é considerado um dos principais polos de produção agroindustrial do Estado, responsável pelo transporte diário de grãos, proteína animal, produtos industrializados e mercadorias. Mesmo assim, lideranças locais avaliam que a região ficou em segundo plano no planejamento apresentado.

Outro ponto que chamou atenção durante a audiência foi a unanimidade das manifestações contrárias ao modelo apresentado. Prefeitos, vereadores, deputados e representantes da sociedade civil questionaram a baixa quantidade de obras previstas diante do valor bilionário da concessão e do prazo de 30 anos.

Para Jaqueline, a população precisa acompanhar de perto as próximas etapas da discussão.

“Não somos contra investimentos nem contra melhorias na rodovia. O que não podemos aceitar é pagar mais e receber menos. Nossa região precisa ser respeitada”, declarou.

A Câmara de Vereadores de Joaçaba já protocolou um pedido oficial para que a ANTT realize uma audiência pública específica no município, permitindo que moradores, empresários, estudantes e lideranças possam analisar detalhadamente o projeto e apresentar sugestões.

O projeto ainda está em fase de consultas públicas e poderá sofrer alterações antes de seguir para leilão. No entanto, a possibilidade de pedágio sem uma contrapartida considerada adequada em obras já começa a mobilizar a população.

A pergunta que fica é: o Meio-Oeste catarinense está prestes a pagar a conta de uma concessão bilionária sem receber a duplicação que espera há décadas?

Por Marcelo Santos

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