CPI que investiga desvios da Prefeitura de Joaçaba revela fraude superior a R$ 8 milhões
O volume de recursos públicos supostamente desviados da Prefeitura de Joaçaba pode ultrapassar R$ 8 milhões, conforme novos dados apresentados nesta quinta-feira (21) pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada para investigar o caso. As informações foram divulgadas pelo relator da comissão, vereador Jean Calza.
De acordo com a CPI, transferências realizadas de contas do município para contas pessoais do então tesoureiro da prefeitura somam quase R$ 8,5 milhões. A maior parte das movimentações teria ocorrido por meio de uma conta vinculada à agência da Caixa Econômica Federal. O restante foi realizado através de agência do Banco do Brasil.
Os dados constam em documentos encaminhados pelas próprias instituições financeiras aos integrantes da comissão, formada pelos vereadores Jean Calza, Diego Bairros e Ricardo Menezes.
Segundo Calza, o valor investigado ainda pode aumentar. “Ainda não descartamos a possibilidade de que esses valores sejam ainda maiores”, afirmou o relator.
O relatório final da CPI deve ser apresentado até o fim de junho.
As investigações buscam identificar possíveis falhas administrativas que permitiram a saída de recursos das contas da prefeitura para contas particulares do então tesoureiro, exonerado após a abertura das investigações pelo Tribunal de Contas de Santa Catarina, em dezembro de 2025. O caso também é apurado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil.
No início das investigações, a suspeita era de desvios próximos de R$ 1 milhão. Com o avanço da análise documental, a CPI elevou o montante inicialmente para mais de R$ 4 milhões. Agora, os números já ultrapassam os R$ 8 milhões. “Seguimos em busca do destino desses valores, que precisam retornar aos cofres públicos”, declarou Calza.
Durante oitivas recentes realizadas pela comissão, o atual prefeito e o ex-prefeito de Joaçaba afirmaram desconhecer a existência de senhas vinculadas aos seus nomes e que teriam sido utilizadas pelo tesoureiro para efetivar as transferências. Conforme o relator, a maior parte das operações foi registrada com senhas associadas aos gestores municipais.
A CPI também trabalha com a hipótese de que o investigado tenha atuado sozinho, embora ainda não descarte o envolvimento de outras pessoas no esquema.
TJSC mantém prisão domiciliar
Na última terça-feira (19), o Tribunal de Justiça de Santa Catarina negou recurso apresentado pelo Ministério Público que solicitava a prisão preventiva do investigado. Com a decisão, ele permanece em liberdade sob monitoramento eletrônico.
Segundo o Tribunal, as medidas cautelares já impostas são suficientes, neste momento, para garantir o andamento das investigações.



