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Professor ameaçado em sala de aula concede entrevista a Rádio Catarinense

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Um professor da Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC) vivenciou momentos de tensão e medo quando a sala onde ministrava aula foi invadida pelo namorado de uma aluna, logo após ele ter advertido os alunos sobre o uso de eletrônicos durante as atividades. O incidente ocorreu no dia 23 de abril, no Campus II da Unoesc, durante uma aula de farmacologia odontológica do curso de Odontologia.

A Central de Jornalismo da Rádio Catarinense, em busca de esclarecer os fatos, entrevistou o professor Anderson Nardi. Ele relatou que no início da manhã, por volta das 08h30, teve que suspender temporariamente a aula após perceber que alguns alunos não estavam prestando atenção, pois estavam usando eletrônicos, como celulares. “Isso me incomodou a tal ponto que precisei chamar a atenção de toda a turma e passei um sermão. Uma aluna acabou se sentindo ofendida e saiu da sala em seguida”, explicou ele.

A aula prosseguiu e, por volta das 10h30, o namorado da aluna, que não é estudante da Unoesc, entrou na sala para tomar satisfações, proferindo ameaças verbais. “Ele disse que, se eu tinha apreço pelos meus dentes, que eu nunca mais voltasse a falar com a namorada dele, senão eu iria perder meus dentes”, contou o professor. A aula foi suspensa imediatamente, e o professor pediu afastamento por alguns dias, devendo retornar às atividades na próxima semana.

Anderson Nardi ressaltou que o plano de ensino possui uma cláusula que regula o uso de eletrônicos, permitindo seu uso apenas com a aprovação prévia dos professores. “Quem precisar usar celulares deve sair da sala para não atrapalhar o andamento das atividades. Não desejo isso para nenhum colega; ninguém merece ser tratado assim e temi pela minha própria vida”, concluiu ele.

A aluna também registrou um boletim de ocorrência policial por se sentir ofendida pelo ocorrido.

O escritório de advocacia Bundchen, coordenado pelos advogados Éber Marcelo Bundchen e Darlan Lima, ingressou no Poder Judiciário com um requerimento solicitando medidas cautelares alternativas à prisão em razão das ameaças relatadas pelo professor, que constam no boletim de ocorrência policial. A Justiça acatou o pedido, impondo ao agressor a proibição de acessar, frequentar ou se aproximar a menos de 100 metros da residência ou local de trabalho da vítima e a proibição de manter contato com a vítima por qualquer meio.

O advogado Éber Marcelo Bundchen afirmou que o fato gerou uma onda de medo entre os alunos e destacou a vulnerabilidade das universidades a esse tipo de invasão. Ele defende a necessidade de uma campanha estadual para prevenir tais ocorrências e garantir a segurança nas instituições de ensino. “A questão do direito do professor em sala de aula, segurança dos alunos e professores, para que isso não ocorra novamente”. Segundo o advogado alguns acadêmicos que estavam na sala de aula afirmaram em depoimento que a manifestação do professor foi direcionada a todos, não especificamente a uma pessoa”. “O local de trabalho é um domicílio, e a invasão para agredir ou ofender é inaceitável e está contemplada na denúncia. O próximo passo é uma audiência para buscar uma conciliação entre as partes. Caso não haja conciliação, o processo seguirá como ação penal”, concluiu Bundchen.

Nossa reportagem manteve contato também com a Unoesc, através da Assessoria de Comunicação, e aguarda um posicionamento. Também ligamos e mandamos mensagem para o autor dos fatos mas até este momento não obtivemos retorno.

Entrevista com Anderson Nárdi


Entrevista com advogado Éber Marcelo Bundchen


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