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Dia Mundial do AVC: Brasil registra quase 90 mil mortes em um ano

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O Brasil registrou 89.490 mortes por acidente vascular cerebral (AVC) em 2025, o equivalente a aproximadamente 245 óbitos por dia, segundo dados do Portal da Transparência do Registro Civil divulgados pela Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC). Diante desse cenário, o Dia Mundial do AVC, celebrado em 29 de outubro, reforça a importância da prevenção, do diagnóstico rápido e da reabilitação dos pacientes. Embora a condição seja frequentemente associada a dificuldades motoras, suas consequências também podem comprometer funções cognitivas essenciais, como memória, atenção, linguagem e raciocínio, afetando diretamente a autonomia e a qualidade de vida.

O acidente vascular cerebral ocorre quando o fluxo sanguíneo para determinada região do cérebro é interrompido pela obstrução de um vaso ou quando há o rompimento de um vaso sanguíneo, provocando uma hemorragia. Em ambos os casos, o tecido cerebral pode sofrer danos, com consequências que variam de acordo com a região afetada e a extensão da lesão.

Entre as possíveis sequelas estão dificuldades de memória, atenção, linguagem, raciocínio e planejamento. Essas alterações podem afetar diretamente a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes, dificultando tarefas aparentemente simples, como lembrar compromissos, acompanhar conversas, organizar compras ou administrar as próprias finanças.

Segundo a neuropsicóloga Martha Valeria Medina, as dificuldades cognitivas podem permanecer mesmo quando o paciente apresenta uma recuperação física satisfatória. “Um AVC pode afetar regiões do cérebro responsáveis por diferentes habilidades cognitivas ou alterar as conexões entre elas. Por isso, uma pessoa pode voltar a caminhar e movimentar os braços normalmente, mas continuar apresentando dificuldades de memória, atenção ou linguagem”, explica a especialista.

Sequelas cognitivas podem passar despercebidas  

Diferentemente das limitações motoras, que costumam ser mais perceptíveis, as alterações cognitivas nem sempre são identificadas imediatamente pelos familiares e cuidadores. Em muitos casos, os primeiros sinais aparecem durante a realização de atividades habituais.

Segundo a especialista, esquecer compromissos, apresentar dificuldades para seguir orientações, perder o raciocínio durante conversas ou precisar de ajuda para organizar tarefas que antes eram realizadas de maneira independente são alguns dos sinais que merecem atenção. “Essas mudanças podem comprometer a participação social e a independência dos pacientes, além de contribuir para sentimentos de frustração e ansiedade”, diz. 

Nesse contexto, indica Martha, a avaliação neuropsicológica e o acompanhamento especializado são importantes para identificar as funções comprometidas e estabelecer estratégias de reabilitação adaptadas às necessidades individuais.

5 dicas para estimular as funções cognitivas após um AVC  

A reabilitação cognitiva pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias que favoreçam a realização de atividades cotidianas e a autonomia dos pacientes. No entanto, os resultados variam conforme a extensão das sequelas e as características individuais de cada pessoa. não devem ser confundidas com o aparecimento repentino de novos sintomas. Dificuldade súbita para falar, fraqueza em um dos lados do corpo ou perda de visão exige atendimento médico urgente, mesmo que os sintomas desapareçam após alguns minutos. 

Pensando nisso, Martha Valeria Medina, neuropsicóloga, reúne cinco orientações que podem auxiliar no processo de recuperação:

1. Estimule a realização de atividades cotidianas: Tarefas como elaborar uma lista de compras, organizar compromissos ou planejar uma saída podem ajudar a trabalhar habilidades relacionadas à memória, à atenção e ao planejamento. As atividades devem ser adaptadas às necessidades e limitações de cada paciente, respeitando as orientações dos profissionais responsáveis pela reabilitação.

2. Utilize ferramentas para auxiliar a memória e a organização: Agendas, alarmes, calendários e listas de tarefas podem funcionar como recursos de apoio para pessoas que apresentam dificuldades de memória e planejamento. O uso dessas ferramentas deve ser incorporado gradualmente à rotina, com acompanhamento quando necessário.

3. Adapte os exercícios e reduza as distrações: Realizar uma atividade por vez, em ambientes tranquilos e com orientações claras, pode facilitar a concentração e a participação do paciente. Exercícios de atenção, memória e raciocínio devem ter sua complexidade ajustada conforme a evolução e as necessidades individuais.

4. Incentive a comunicação e a interação: Conversar sobre assuntos familiares, utilizar imagens, gestos ou palavras escritas são estratégias que podem facilitar a comunicação de pessoas com dificuldades de linguagem. A participação dos familiares também é importante para estimular a interação social e apoiar o processo de reabilitação.

5. Respeite os limites e os momentos de descanso: A fadiga é uma condição que pode interferir no desempenho cognitivo e na participação nas atividades de reabilitação. Por isso, é importante equilibrar os períodos de estimulação com momentos de descanso, respeitando o ritmo de recuperação de cada pessoa.

Fonte: Mira Comunicação