Após 17 dias, Bombeiros ampliam buscas por mulher desaparecida em Herval d’Oeste
Dezessete dias após o desaparecimento de uma mulher que caiu da antiga ponte ferroviária de Herval d’Oeste, o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina anunciou uma nova estratégia para tentar localizar a vítima. As buscas, que começaram na noite de 28 de junho, entrarão em uma nova fase neste sábado, com a atuação de equipes especializadas em operações de águas rápidas.
Segundo o comandante do Pelotão dos Bombeiros de Joaçaba, tenente Augusto Schlegel, a ocorrência teve início em um domingo marcado por forte chuva, baixa visibilidade e pelo Rio do Peixe em nível elevado. A mulher retornava para casa acompanhada do marido quando caiu nas águas do Rio Barra Verde, nas proximidades da foz com o Rio do Peixe, junto à antiga ponte da estrada de ferro, no bairro Nossa Senhora Aparecida, em Herval d’Oeste.
Assim que foram acionados, os bombeiros mobilizaram equipes por terra e por água. Uma embarcação equipada com motor realizou buscas ainda na primeira hora após o acidente, na expectativa de localizar a vítima na superfície. No entanto, as condições extremamente adversas impediram o sucesso da operação.
Na manhã seguinte, mergulhadores especializados iniciaram as buscas subaquáticas. Durante vários dias, a corporação também realizou varreduras diárias de barco ao longo do Rio do Peixe, percorrendo o trecho entre o desembarque próximo ao quartel dos Bombeiros em Joaçaba e a barragem nas proximidades do Restaurante Kraft. Sempre que as condições climáticas permitiram, as equipes voltaram ao rio em busca de qualquer indício da vítima.
Como todas essas operações terminaram sem sucesso, os bombeiros decidiram ampliar a área de procura.
Neste sábado, a corporação fará uma varredura inédita no trecho abaixo da barragem, entre o Restaurante Kraft e o município de Lacerdópolis. Por se tratar de uma região onde barcos convencionais não conseguem navegar, serão empregados especialistas em inundações e enxurradas utilizando um bote de águas rápidas, semelhante aos utilizados em operações de rafting.
De acordo com o tenente Augusto Schlegel, a expectativa inicial era de que a vítima permanecesse antes da barragem, considerada a área mais provável. Como diversas buscas minuciosas já foram realizadas nesse trecho sem resultado, tornou-se necessário ampliar a operação para eliminar outras possibilidades.
Além das buscas presenciais, o Corpo de Bombeiros também utilizou drones para sobrevoar áreas de difícil acesso. Apesar de a tecnologia auxiliar na identificação de corpos, o oficial explica que árvores, galhadas e obstáculos naturais podem impedir a visualização completa, tornando indispensável a inspeção feita pelas equipes em solo e na água.
O comandante afirma que a operação será reavaliada após a ação deste sábado. O resultado da nova etapa será determinante para definir os próximos passos da ocorrência.
Durante a entrevista, o tenente também chamou a atenção para os riscos da antiga ponte ferroviária. Segundo ele, embora tenha recebido adaptações para passagem de pedestres, a estrutura não oferece condições adequadas de segurança, especialmente durante a noite ou em períodos de chuva.
Questionado sobre possíveis medidas para evitar novos acidentes, Schlegel destacou que essa responsabilidade cabe ao poder público municipal, não ao Corpo de Bombeiros.
Por fim, o oficial ressaltou que a corporação mantém contato praticamente diário com a família da vítima, informando todas as ações realizadas e prestando acolhimento durante o período de buscas.
A expectativa dos bombeiros é de que a nova estratégia permita finalmente localizar a mulher e oferecer uma resposta à família, que há mais de duas semanas convive com a angústia da espera.
Por Marcelo Santos


