SC lidera no número de mortes por gripe A no país e no mundo

72 mortes registradas deixaram o Estado no topo

Geral
08/08/2012

   Neste inverno Santa Catarina registrou uma das mais altas taxas de mortalidade do mundo em razão da Gripe A. Foram 72 mortes até o fim de julho, uma média de uma morte para cada 100 mil habitantes. Números que não foram suavizados pelo melhor desempenho de vacinação do país atingindo 94,54%, nem pelas 580 mil cápsulas de Tamiflu distribuídas gratuitamente nas redes de saúde. Entre as hipóteses para responder este cenário estão a demora da população em procurar a ajuda e lentidão dos médicos ao prescrever o uso da medicação.

  Os dados preliminares que deixam Santa Catarina no topo mundial de mortalidade por gripe A foram cruzados com informações obtidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e Ministério da Saúde. Os números não são precisos porque as notificações demoram para chegar à OMS. Os dados dos países do Hemisfério Sul são menos completos do que os do Hemisfério Norte, onde o inverno já acabou, e os padrões de vigilância epidemiológica variam bastante. Mesmo assim, as notificações dos países que já enviaram seus dados indicam que o Brasil é um dos principais focos da gripe A no mundo hoje. As 257 mortes registradas até a última semana de julho (157 somente no Sul) colocam o país entre as regiões mais afetadas no planeta pelo vírus Influenza A (H1N1). E no Brasil, Santa Catarina está no topo no número de mortes. Para saber qual é a mortalidade do país ou região é preciso comparar o número de casos com o de mortes e com o da população. Na Índia, por exemplo, onde vivem 1,2 bilhão de habitantes foram verificados 122 mortos (veja no mapa) até a última semana de julho. Em Santa Catarina onde vivem 6,2 milhões de habitantes, 72 pessoas morreram pelo H1N1, 50 casos a menos que a Índia, um dos países mais populosas do planeta.

As informações disponíveis fazem com que a infectologista Nancy Bellei, professora da Universidade Federal de São Paulo ( Unifesp) e uma das principais especialistas em Influenza do país, sustente que o Brasil tem uma das piores situações conhecidas em relação ao H1N1 este ano.

— Claro que o clima interfere, mas isso tem de ser melhor estudado porque outros países frios não enfrentam o mesmo cenário — afirma a especialista.  Uma das razões para o Brasil padecer com a gripe A é que outras regiões do Hemisfério Sul, como Argentina, Chile, Austrália ou Nova Zelândia, estão apresentando circulação predominante de outros tipos de vírus Influenza, como o B ou o H3N2. Também pela avaliação de especialistas, a falta de uma política de prevenção específica para o sul do Brasil e deficiências no atendimento primário como a demora para a aplicação do antiviral Tamiflu ajudam a explicar por que o país, apresenta uma escalada de mortes superior a outras regiões do globo.

Segundo pesquisa do Ministério da Saúde nas primeiras 28 mortes por H1N1 em Santa Catarina, 50% delas poderiam ter sido evitadas se os pacientes tivessem tomado o Tamiflu em até 48 horas depois dos primeiros sintomas. Um exemplo foi a primeira morte por Gripe A do Estado. Uma menina de dois anos morreu três dias após a contaminação pelo vírus ter sido diagnosticada, mas a criança já estava com os sintomas há quase 15 dias. — Acredito que reforçar as medidas educativas, não apenas junto à população, mas em relação aos profissionais da saúde quanto à importância de recomendar a vacinação anual e incorporar o uso precoce de antiviral quando houver indicação são imprescindíveis para evitar este elevado número de mortes — diz a infectologista.

Fonte: Clicrbs
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